COMUNIDADE

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A Mansão do Passeio é feita das pessoas que a habitam. Profissionais, empreendedores e criadores que partilham mais do que um espaço, partilham uma forma de trabalhar com propósito e de construir com intenção.


Bem-vindo à nossa comunidade!

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Vozes da Comunidade

RICE 'N SADO

"A Mansão do Passeio é uma verdadeira comunidade, onde reina a entreajuda. O Gonçalo está sempre disponível e o Zé recebe-nos com profissionalismo e simpatia. Estamos muito felizes por fazer parte desta família!"

— Matilde Capoulas


"A Mansão do Passeio é uma verdadeira comunidade, onde reina a entreajuda. O Gonçalo está sempre disponível e o Zé recebe-nos com profissionalismo e simpatia. Estamos muito felizes por fazer parte desta família!"

— Matilde Capoulas

RICE 'N SADO

"A Mansão do Passeio é uma verdadeira comunidade, onde reina a entreajuda. O Gonçalo está sempre disponível e o Zé recebe-nos com profissionalismo e simpatia. Estamos muito felizes por fazer parte desta família!"

— Matilde Capoulas

RICE 'N SADO

Destaques da Mansão

Artigo

Artigo

A sua empresa merece uma morada à altura 

A sua empresa merece uma morada à altura 

Todas as empresas precisam de uma morada. Poucas precisam, à partida, de quatro paredes, de uma renda e das contas que vêm com elas. É exatamente aqui que entra o escritório virtual, e é aqui que a Mansão do Passeio faz a diferença.

Se está a começar, quer credibilidade desde o primeiro dia sem imobilizar capital em espaço físico. Se já tem uma empresa estabelecida, quer uma morada que esteja à altura do nome que construiu. Em ambos os casos, a resposta é a mesma: uma presença profissional real, numa morada que fala por si.


O que é, de facto, um escritório virtual

Uma morada comercial real para a sua empresa (sede social, domicílio fiscal e receção de correspondência), sem ocupar fisicamente o espaço. E quando precisa de estar presente, o espaço está à sua disposição.

Separa a atividade da sua morada pessoal, reduz custos fixos e projeta a imagem de uma organização estabelecida, mesmo que hoje seja uma equipa de uma pessoa.

Porque é que a morada importa

Uma morada não é um detalhe administrativo. É a primeira coisa que um cliente, um fornecedor ou um investidor vê quando procura a sua empresa. Um endereço num edifício com história e reputação transmite solidez; uma morada residencial, por muito boa que seja a empresa, levanta perguntas.

A Mansão do Passeio não é um espaço qualquer. É um centro empresarial e cultural instalado num edifício histórico em Alcácer do Sal, um lugar com história, carácter e presença. Domiciliar aqui a sua empresa é associá-la a tudo isso.

Para quem está a começar

Nos primeiros meses, cada euro conta. O escritório virtual elimina a maior parte dos custos de um espaço físico (renda, eletricidade, internet, limpeza, receção, mobiliário) e liberta esses recursos para o que realmente faz crescer o negócio.

Ganha uma morada de prestígio para constituir a empresa, cumprir os requisitos legais e apresentar-se a clientes com a mesma seriedade de uma empresa com dez anos de casa. Começa pequeno, sem parecer pequeno.

Para quem já tem empresa

Uma sede numa cidade, uma delegação noutra, uma presença numa região onde quer crescer, sem abrir escritório em cada uma. O escritório virtual permite alargar a sua presença geográfica de forma leve e reversível, mantendo os custos fixos sob controlo. E há a dimensão da privacidade: preserva a morada pessoal dos sócios e gestores, usando um endereço estritamente profissional no registo público.

Foto: Joaomartinho63 / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0)


Uma região que cresce todos os dias

Alcácer do Sal cresce integrada no Alentejo Litoral, uma das faixas do país que mais investimento atrai. De Tróia à Comporta floresce um perfil de negócios ligado ao turismo de qualidade, à hotelaria, ao imobiliário de luxo e ao lifestyle, com um público exigente e internacional e forte valorização das zonas de Comporta, Carvalhal e Melides. Descendo a costa até Sines, o registo muda para indústria, logística, energia e tecnologia, com o complexo de Sines a mobilizar mais de 25 mil milhões de euros em projetos e intenções de investimento. Entre os dois extremos cresce toda uma cadeia de empresas e serviços de apoio.

E Alcácer, a cerca de uma hora de Lisboa, está no centro deste movimento. O Município aprovou recentemente perto de 5 milhões de euros na ampliação da Área de Localização Empresarial do concelho, e há linhas de apoio ao investimento para PME através do programa Alentejo 2030. Quem se estabelece aqui agora entra no início de um ciclo, não no fim.

Fazê-lo a partir da Mansão do Passeio, um centro empresarial e cultural no coração da cidade, é ancorar a sua empresa num dos pontos mais reconhecíveis deste ecossistema, no lugar certo e no momento certo.

Porquê um escritório virtual na Mansão do Passeio

  • Morada fiscal premium no Alentejo, num edifício com identidade única e quase 100 anos de história.

  • Imagem de prestígio, associada a sucesso e credibilidade.

  • Redução significativa de custos fixos face a um escritório físico.

  • Uma comunidade empresarial qualificada, do imobiliário à tecnologia.

  • Gestão de correspondência e acesso a sala de reuniões quando precisa.

  • Soluções flexíveis, com preços atrativos.

Vamos conversar

Se procura uma morada à altura da sua empresa, a começar ou já a caminho, a Mansão do Passeio é o ponto de partida certo.

contacto@mansao.pt



Todas as empresas precisam de uma morada. Poucas precisam, à partida, de quatro paredes, de uma renda e das contas que vêm com elas. É exatamente aqui que entra o escritório virtual, e é aqui que a Mansão do Passeio faz a diferença.

Se está a começar, quer credibilidade desde o primeiro dia sem imobilizar capital em espaço físico. Se já tem uma empresa estabelecida, quer uma morada que esteja à altura do nome que construiu. Em ambos os casos, a resposta é a mesma: uma presença profissional real, numa morada que fala por si.


O que é, de facto, um escritório virtual

Uma morada comercial real para a sua empresa (sede social, domicílio fiscal e receção de correspondência), sem ocupar fisicamente o espaço. E quando precisa de estar presente, o espaço está à sua disposição.

Separa a atividade da sua morada pessoal, reduz custos fixos e projeta a imagem de uma organização estabelecida, mesmo que hoje seja uma equipa de uma pessoa.

Porque é que a morada importa

Uma morada não é um detalhe administrativo. É a primeira coisa que um cliente, um fornecedor ou um investidor vê quando procura a sua empresa. Um endereço num edifício com história e reputação transmite solidez; uma morada residencial, por muito boa que seja a empresa, levanta perguntas.

A Mansão do Passeio não é um espaço qualquer. É um centro empresarial e cultural instalado num edifício histórico em Alcácer do Sal, um lugar com história, carácter e presença. Domiciliar aqui a sua empresa é associá-la a tudo isso.

Para quem está a começar

Nos primeiros meses, cada euro conta. O escritório virtual elimina a maior parte dos custos de um espaço físico (renda, eletricidade, internet, limpeza, receção, mobiliário) e liberta esses recursos para o que realmente faz crescer o negócio.

Ganha uma morada de prestígio para constituir a empresa, cumprir os requisitos legais e apresentar-se a clientes com a mesma seriedade de uma empresa com dez anos de casa. Começa pequeno, sem parecer pequeno.

Para quem já tem empresa

Uma sede numa cidade, uma delegação noutra, uma presença numa região onde quer crescer, sem abrir escritório em cada uma. O escritório virtual permite alargar a sua presença geográfica de forma leve e reversível, mantendo os custos fixos sob controlo. E há a dimensão da privacidade: preserva a morada pessoal dos sócios e gestores, usando um endereço estritamente profissional no registo público.

Foto: Joaomartinho63 / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0)


Uma região que cresce todos os dias

Alcácer do Sal cresce integrada no Alentejo Litoral, uma das faixas do país que mais investimento atrai. De Tróia à Comporta floresce um perfil de negócios ligado ao turismo de qualidade, à hotelaria, ao imobiliário de luxo e ao lifestyle, com um público exigente e internacional e forte valorização das zonas de Comporta, Carvalhal e Melides. Descendo a costa até Sines, o registo muda para indústria, logística, energia e tecnologia, com o complexo de Sines a mobilizar mais de 25 mil milhões de euros em projetos e intenções de investimento. Entre os dois extremos cresce toda uma cadeia de empresas e serviços de apoio.

E Alcácer, a cerca de uma hora de Lisboa, está no centro deste movimento. O Município aprovou recentemente perto de 5 milhões de euros na ampliação da Área de Localização Empresarial do concelho, e há linhas de apoio ao investimento para PME através do programa Alentejo 2030. Quem se estabelece aqui agora entra no início de um ciclo, não no fim.

Fazê-lo a partir da Mansão do Passeio, um centro empresarial e cultural no coração da cidade, é ancorar a sua empresa num dos pontos mais reconhecíveis deste ecossistema, no lugar certo e no momento certo.

Porquê um escritório virtual na Mansão do Passeio

  • Morada fiscal premium no Alentejo, num edifício com identidade única e quase 100 anos de história.

  • Imagem de prestígio, associada a sucesso e credibilidade.

  • Redução significativa de custos fixos face a um escritório físico.

  • Uma comunidade empresarial qualificada, do imobiliário à tecnologia.

  • Gestão de correspondência e acesso a sala de reuniões quando precisa.

  • Soluções flexíveis, com preços atrativos.

Vamos conversar

Se procura uma morada à altura da sua empresa, a começar ou já a caminho, a Mansão do Passeio é o ponto de partida certo.

contacto@mansao.pt



Passeio Market

Passeio Market

1ª Edição do Passeio Market

1ª Edição do Passeio Market

Passou um mês desde que abrimos as portas da Mansão do Passeio à primeira edição do Passeio Market, e a boa energia ainda não passou.

O resultado superou tudo o que tínhamos imaginado, e não falamos só por nós. Falamos também pelas marcas que connosco partilharam o espaço e que saíram daqui com novas ligações, novas histórias e novos clientes. Foi a prova de que Alcácer tem lugar para um encontro assim.

A todos os que nos visitaram, estiveram presentes e contribuíram para que isto acontecesse, o nosso maior obrigado. Foram vocês que deram vida ao Passeio Market.


Um agradecimento muito especial às marcas que trouxeram o seu trabalho, o seu cuidado e a sua história até nós: Art by Dalila, Breezy Sensation, Mozy’s Dips, Lams Woodcrafts,  Maria Papaia, Passo a Passo,  Pedacinho de Amor, Pisco Pizza,  Rice ‘N Sado,  Sadoplantas,  Taco Maroto, ticx e Yod Studio. Sem elas, não havia mercado.


E que tardes tivemos. Enchemos o Passeio de música com ËFY, Camacho, Jamie Berg e A Mansão, que transformaram cada fim de tarde em algo difícil de esquecer. As tardes de sunset de verão foram, sem exagero, incríveis: a luz a cair sobre o jardim, a música no ar e as pessoas a demorarem-se só mais um bocadinho. Foi exatamente o ambiente que sonhávamos criar.


Foi um enorme sucesso e não podíamos estar mais felizes.

Mas isto é só o princípio. Para o ano há mais Passeio Market, maior e melhor que este. Já estamos a preparar tudo.

Obrigado a todos. Até para o ano.



Passou um mês desde que abrimos as portas da Mansão do Passeio à primeira edição do Passeio Market, e a boa energia ainda não passou.

O resultado superou tudo o que tínhamos imaginado, e não falamos só por nós. Falamos também pelas marcas que connosco partilharam o espaço e que saíram daqui com novas ligações, novas histórias e novos clientes. Foi a prova de que Alcácer tem lugar para um encontro assim.

A todos os que nos visitaram, estiveram presentes e contribuíram para que isto acontecesse, o nosso maior obrigado. Foram vocês que deram vida ao Passeio Market.


Um agradecimento muito especial às marcas que trouxeram o seu trabalho, o seu cuidado e a sua história até nós: Art by Dalila, Breezy Sensation, Mozy’s Dips, Lams Woodcrafts,  Maria Papaia, Passo a Passo,  Pedacinho de Amor, Pisco Pizza,  Rice ‘N Sado,  Sadoplantas,  Taco Maroto, ticx e Yod Studio. Sem elas, não havia mercado.


E que tardes tivemos. Enchemos o Passeio de música com ËFY, Camacho, Jamie Berg e A Mansão, que transformaram cada fim de tarde em algo difícil de esquecer. As tardes de sunset de verão foram, sem exagero, incríveis: a luz a cair sobre o jardim, a música no ar e as pessoas a demorarem-se só mais um bocadinho. Foi exatamente o ambiente que sonhávamos criar.


Foi um enorme sucesso e não podíamos estar mais felizes.

Mas isto é só o princípio. Para o ano há mais Passeio Market, maior e melhor que este. Já estamos a preparar tudo.

Obrigado a todos. Até para o ano.



Assinaturas do Tempo

Assinaturas do Tempo

António Paiva, pela memória de Luísa Paiva

António Paiva, pela memória de Luísa Paiva

Há vidas que permanecem gravadas na pedra das cidades. Outras permanecem na memória das pessoas. O percurso do escultor António Paiva pertence às duas dimensões: a das obras que resistem ao tempo e a das histórias humanas que continuam a ser contadas por quem com ele conviveu.


António Paiva, no seu ateliê nas Janelas Verdes


Para compreender verdadeiramente esse percurso, talvez seja preciso começar por algo simples: a forma como via o mundo. A sua filha, Luísa Paiva, descreve-o com uma palavra que explica muito do que foi a sua vida e a sua obra. “Ele era um humanista.” Mais do que uma definição intelectual, era uma forma de estar, uma curiosidade constante pelas pessoas, pelas suas histórias e pela vida quotidiana.

António Paiva não era alguém que se limitasse a círculos culturais ou académicos. Pelo contrário, sentia-se confortável em qualquer conversa. Como recorda Luísa, “não era uma pessoa que procurasse apenas uma elite intelectual”. Gostava de falar com todos, de ouvir histórias, de observar gestos e comportamentos. As conversas deambulavam por distintos temas, enquanto percorriam incontáveis horas, o seu interesse pelo mundo era genuíno.

Esse olhar começou-se a formar muito cedo, na infância passada em Alcácer do Sal e na quinta da sua família. Ali, no ritmo tranquilo da vida rural, desenvolveu uma capacidade de observação que nunca o abandonaria. Luísa recorda que o pai era “extremamente observador”. Pequenos acontecimentos podiam prender-lhe a atenção durante muito tempo. Se um animal estivesse a nascer ou se algo inesperado acontecesse no campo, ele parava para ver, para compreender e para sentir aquele momento.

Escultura de baixo relevo "Via Sacra", localizada na igreja de Águas em Penamacor, imagem da 2ª estação


Essa sensibilidade acabaria por encontrar lugar na sua escultura. Sempre que não estava a responder a encomendas específicas, regressava naturalmente às figuras que conhecia desde a infância: trabalhadores do campo, animais, gestos simples do quotidiano. Eram imagens profundamente humanas, nascidas de uma memória afetiva que nunca desapareceu.

Mas a arte, para António Paiva, nunca foi apenas um trabalho. Era a própria vida. Em casa, recorda Luísa, não existia uma fronteira clara entre o artista e o homem. Criar fazia parte da sua forma de existir. “A vida era o trabalho e o trabalho era a vida”, diz, lembrando a forma natural como o pai encarava o ofício.

Apesar dessa dimensão quase orgânica da criação, o escultor mantinha uma disciplina impressionante. Levantava-se cedo todos os dias e dirigia-se ao ateliê nas Janelas Verdes ainda pela manhã. Havia uma razão muito concreta para isso: a luz. “A luz da manhã era excelente para a escultura”, explica Luísa. É nesse momento do dia que os volumes se revelam com mais clareza, que as sombras desenham as formas e permitem perceber verdadeiramente a matéria.

Os primeiros raios dourados e o silêncio interrompido pelo cantarolar dos passarinhos era sagrado. Esse momento pertencia exclusivamente a ele e ao trabalho, um espaço de concentração profunda onde dificilmente algo interferia. No silêncio do ateliê, passava horas a trabalhar as formas, a transformar pedra e matéria em figuras que lentamente ganhavam presença.

Escultura "Dom Quixote, contra os moinhos"


À tarde, o ritmo mudava. Quando não estava a dar aulas na escola de Belas Artes, surgia a outra dimensão da sua personalidade: a do convívio. António Paiva apreciava as longas tertúlias, encontros onde a conversa se prolongava entre arte, política, humor e histórias de vida. Era, recorda Luísa com carinho, “uma pessoa divertidíssima”.

Por trás desse humor existia também uma grande sensibilidade humana. Era alguém profundamente empático, capaz de perceber rapidamente o estado de espírito das pessoas à sua volta. Observava muito. Gostava de olhar para o mundo como quem lê um livro aberto. Às vezes bastava sentar-se à janela de casa e observar a rua. As pessoas passavam, e ele começava a imaginar histórias: para onde iam, de onde vinham, o que poderiam estar a pensar naquele momento.

Essa curiosidade pela vida alimentava também a sua criatividade.

As amizades artísticas faziam parte dessa energia. Viagens, encontros e experiências partilhadas marcaram muitas fases do seu percurso. Quando recebeu uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar em Itália, a viagem acabou por transformar-se numa aventura coletiva. Como conta Luísa, foi realizar o seu trabalho de investigação, mas “levou a trupe toda”. Entre estudo, descoberta e amizade, a experiência acabou por refletir aquilo que sempre foi: alguém que vivia a arte em comunidade.

Escultura em bronze, "Mulher do Chapéu de Sol", baseada numa fotografia da mãe do escultor


Apesar do reconhecimento que foi alcançando ao longo da carreira, António Paiva manteve sempre uma relação muito simples com a ideia de sucesso. Não era algo que procurasse. O que verdadeiramente lhe importava era a consistência do trabalho. Acreditava que, se esse trabalho fosse “continuado, sério e consistente”, o seu valor acabaria por se revelar com o tempo. Essa postura refletia-se na sua relação com a autoria: António Paiva nunca assinava as suas obras, recusando qualquer protagonismo que desviasse a atenção do essencial, o próprio trabalho artístico.

Os contextos históricos também influenciaram o seu percurso. Nos anos que se seguiram à revolução de 1974, o país atravessava um período de transformação profunda e as encomendas públicas tornaram-se mais raras. Muitos artistas passaram então a criar por iniciativa própria. 

Foi nesse período que surgiram muitas esculturas de menor dimensão. Em vez das grandes obras destinadas ao espaço público, começaram a aparecer peças mais pequenas, muitas vezes entre quarenta centímetros e pouco mais de um metro. Para a filha, essas esculturas têm uma energia muito particular. “Eu adoro essas peças”, diz, lembrando a liberdade criativa que nelas se sente.

Algumas exploravam temas inesperados. Uma delas chama-se A Fífia. Representa três músicos, e a cena sugere um momento divertido: o músico do meio parece ter desafinado, enquanto os outros o observam com uma mistura de surpresa e reprovação. Talhadas diretamente em bloco de mármore, essas esculturas revelam um lado mais leve e espontâneo da sua criação.

Escultura em mármore de Estremoz, talhe direto, "A Fífia"


Talvez seja precisamente por isso que continuam a tocar quem as observa. Foram feitas sem encomenda, sem pressa, apenas pela vontade de dar forma a uma ideia.

A história de António Paiva também se cruzou com momentos complexos da história portuguesa. Proveniente de um meio ligado ao período do Estado Novo, viveu décadas de mudanças profundas no país. Com o passar do tempo, alguns artistas associados a esse contexto acabaram por ser menos referidos no discurso cultural.

Escultura em bronze, "Ceifeiro"


Luísa recorda ter lido recentemente um texto que descrevia bem esse fenómeno, referindo a existência de “formas discretas de esquecimento”. Não se trata de censura direta, mas de um silêncio lento que, ao longo dos anos, pode afastar certos nomes da memória coletiva.

Mas a memória humana tem caminhos próprios.

Quando o nome de António Paiva surge em conversas com antigos alunos ou pessoas que com ele conviveram, a reação continua muitas vezes marcada pela emoção. Muitos lembram-se não apenas do escultor, mas do homem, curioso, atento, generoso e profundamente interessado na vida à sua volta.

Para Luísa, a herança mais importante que recebeu do pai não foi apenas artística. Foi sobretudo uma forma de olhar para o mundo. António Paiva era, diz, “uma pessoa muito luminosa”. Alguém que acreditava na vida, que procurava sempre encontrar soluções, que enfrentava os problemas sem perder a esperança.

Talvez seja por isso que a sua presença continua a ser sentida.


Porque algumas pessoas deixam obras. Outras deixam uma forma de viver. 


Até hoje não temos conhecimento de todas as suas obras, ele assim quis, mantendo acesa a chama da curiosidade com cada nova obra descoberta, uma das muitas assinaturas que deixa no tempo.

Há vidas que permanecem gravadas na pedra das cidades. Outras permanecem na memória das pessoas. O percurso do escultor António Paiva pertence às duas dimensões: a das obras que resistem ao tempo e a das histórias humanas que continuam a ser contadas por quem com ele conviveu.


António Paiva, no seu ateliê nas Janelas Verdes


Para compreender verdadeiramente esse percurso, talvez seja preciso começar por algo simples: a forma como via o mundo. A sua filha, Luísa Paiva, descreve-o com uma palavra que explica muito do que foi a sua vida e a sua obra. “Ele era um humanista.” Mais do que uma definição intelectual, era uma forma de estar, uma curiosidade constante pelas pessoas, pelas suas histórias e pela vida quotidiana.

António Paiva não era alguém que se limitasse a círculos culturais ou académicos. Pelo contrário, sentia-se confortável em qualquer conversa. Como recorda Luísa, “não era uma pessoa que procurasse apenas uma elite intelectual”. Gostava de falar com todos, de ouvir histórias, de observar gestos e comportamentos. As conversas deambulavam por distintos temas, enquanto percorriam incontáveis horas, o seu interesse pelo mundo era genuíno.

Esse olhar começou-se a formar muito cedo, na infância passada em Alcácer do Sal e na quinta da sua família. Ali, no ritmo tranquilo da vida rural, desenvolveu uma capacidade de observação que nunca o abandonaria. Luísa recorda que o pai era “extremamente observador”. Pequenos acontecimentos podiam prender-lhe a atenção durante muito tempo. Se um animal estivesse a nascer ou se algo inesperado acontecesse no campo, ele parava para ver, para compreender e para sentir aquele momento.

Escultura de baixo relevo "Via Sacra", localizada na igreja de Águas em Penamacor, imagem da 2ª estação


Essa sensibilidade acabaria por encontrar lugar na sua escultura. Sempre que não estava a responder a encomendas específicas, regressava naturalmente às figuras que conhecia desde a infância: trabalhadores do campo, animais, gestos simples do quotidiano. Eram imagens profundamente humanas, nascidas de uma memória afetiva que nunca desapareceu.

Mas a arte, para António Paiva, nunca foi apenas um trabalho. Era a própria vida. Em casa, recorda Luísa, não existia uma fronteira clara entre o artista e o homem. Criar fazia parte da sua forma de existir. “A vida era o trabalho e o trabalho era a vida”, diz, lembrando a forma natural como o pai encarava o ofício.

Apesar dessa dimensão quase orgânica da criação, o escultor mantinha uma disciplina impressionante. Levantava-se cedo todos os dias e dirigia-se ao ateliê nas Janelas Verdes ainda pela manhã. Havia uma razão muito concreta para isso: a luz. “A luz da manhã era excelente para a escultura”, explica Luísa. É nesse momento do dia que os volumes se revelam com mais clareza, que as sombras desenham as formas e permitem perceber verdadeiramente a matéria.

Os primeiros raios dourados e o silêncio interrompido pelo cantarolar dos passarinhos era sagrado. Esse momento pertencia exclusivamente a ele e ao trabalho, um espaço de concentração profunda onde dificilmente algo interferia. No silêncio do ateliê, passava horas a trabalhar as formas, a transformar pedra e matéria em figuras que lentamente ganhavam presença.

Escultura "Dom Quixote, contra os moinhos"


À tarde, o ritmo mudava. Quando não estava a dar aulas na escola de Belas Artes, surgia a outra dimensão da sua personalidade: a do convívio. António Paiva apreciava as longas tertúlias, encontros onde a conversa se prolongava entre arte, política, humor e histórias de vida. Era, recorda Luísa com carinho, “uma pessoa divertidíssima”.

Por trás desse humor existia também uma grande sensibilidade humana. Era alguém profundamente empático, capaz de perceber rapidamente o estado de espírito das pessoas à sua volta. Observava muito. Gostava de olhar para o mundo como quem lê um livro aberto. Às vezes bastava sentar-se à janela de casa e observar a rua. As pessoas passavam, e ele começava a imaginar histórias: para onde iam, de onde vinham, o que poderiam estar a pensar naquele momento.

Essa curiosidade pela vida alimentava também a sua criatividade.

As amizades artísticas faziam parte dessa energia. Viagens, encontros e experiências partilhadas marcaram muitas fases do seu percurso. Quando recebeu uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar em Itália, a viagem acabou por transformar-se numa aventura coletiva. Como conta Luísa, foi realizar o seu trabalho de investigação, mas “levou a trupe toda”. Entre estudo, descoberta e amizade, a experiência acabou por refletir aquilo que sempre foi: alguém que vivia a arte em comunidade.

Escultura em bronze, "Mulher do Chapéu de Sol", baseada numa fotografia da mãe do escultor


Apesar do reconhecimento que foi alcançando ao longo da carreira, António Paiva manteve sempre uma relação muito simples com a ideia de sucesso. Não era algo que procurasse. O que verdadeiramente lhe importava era a consistência do trabalho. Acreditava que, se esse trabalho fosse “continuado, sério e consistente”, o seu valor acabaria por se revelar com o tempo. Essa postura refletia-se na sua relação com a autoria: António Paiva nunca assinava as suas obras, recusando qualquer protagonismo que desviasse a atenção do essencial, o próprio trabalho artístico.

Os contextos históricos também influenciaram o seu percurso. Nos anos que se seguiram à revolução de 1974, o país atravessava um período de transformação profunda e as encomendas públicas tornaram-se mais raras. Muitos artistas passaram então a criar por iniciativa própria. 

Foi nesse período que surgiram muitas esculturas de menor dimensão. Em vez das grandes obras destinadas ao espaço público, começaram a aparecer peças mais pequenas, muitas vezes entre quarenta centímetros e pouco mais de um metro. Para a filha, essas esculturas têm uma energia muito particular. “Eu adoro essas peças”, diz, lembrando a liberdade criativa que nelas se sente.

Algumas exploravam temas inesperados. Uma delas chama-se A Fífia. Representa três músicos, e a cena sugere um momento divertido: o músico do meio parece ter desafinado, enquanto os outros o observam com uma mistura de surpresa e reprovação. Talhadas diretamente em bloco de mármore, essas esculturas revelam um lado mais leve e espontâneo da sua criação.

Escultura em mármore de Estremoz, talhe direto, "A Fífia"


Talvez seja precisamente por isso que continuam a tocar quem as observa. Foram feitas sem encomenda, sem pressa, apenas pela vontade de dar forma a uma ideia.

A história de António Paiva também se cruzou com momentos complexos da história portuguesa. Proveniente de um meio ligado ao período do Estado Novo, viveu décadas de mudanças profundas no país. Com o passar do tempo, alguns artistas associados a esse contexto acabaram por ser menos referidos no discurso cultural.

Escultura em bronze, "Ceifeiro"


Luísa recorda ter lido recentemente um texto que descrevia bem esse fenómeno, referindo a existência de “formas discretas de esquecimento”. Não se trata de censura direta, mas de um silêncio lento que, ao longo dos anos, pode afastar certos nomes da memória coletiva.

Mas a memória humana tem caminhos próprios.

Quando o nome de António Paiva surge em conversas com antigos alunos ou pessoas que com ele conviveram, a reação continua muitas vezes marcada pela emoção. Muitos lembram-se não apenas do escultor, mas do homem, curioso, atento, generoso e profundamente interessado na vida à sua volta.

Para Luísa, a herança mais importante que recebeu do pai não foi apenas artística. Foi sobretudo uma forma de olhar para o mundo. António Paiva era, diz, “uma pessoa muito luminosa”. Alguém que acreditava na vida, que procurava sempre encontrar soluções, que enfrentava os problemas sem perder a esperança.

Talvez seja por isso que a sua presença continua a ser sentida.


Porque algumas pessoas deixam obras. Outras deixam uma forma de viver. 


Até hoje não temos conhecimento de todas as suas obras, ele assim quis, mantendo acesa a chama da curiosidade com cada nova obra descoberta, uma das muitas assinaturas que deixa no tempo.

Networking

Networking

Jantar de Networking - 24 de Setembro

Jantar de Networking - 24 de Setembro

No dia 24 de setembro, às 20h00, convidamos-te para um jantar de networking no Grão no Rio, em Alcácer do Sal.

Nesta noite especial, celebramos também a abertura deste novo restaurante às margens do Sado, o cenário perfeito para juntarmos boa comida, convívio e novas ligações num ambiente informal e acolhedor. É a oportunidade ideal para conheceres o espaço, encontrares outros profissionais e empresários da região, trocar ideias e criar parcerias, tudo à volta de uma mesa e de uma seleção gastronómica pensada ao pormenor.

Com sabores bem alentejanos e produtos locais, este é daqueles serões que ficam na memória e podem dar origem a novos projetos.


Menu Especial da Noite

Para Começar
Pão alentejano na mesa
Queijo fresco de Alcácer do Sal
Hummus de beterraba com dip de legumes
Bolinhas de alheira com maçã verde e compota de mirtilo

Prato Principal
Massada de garoupa e camarão

Prato Vegetariano
Gnocchi de tomatada com espinafre e picadinho de noz

Bebidas
Água sem gás, refrigerantes, café e descafeinado.
Vinho branco e tinto da seleção Grão no Rio (uma garrafa por cada três pessoas).

Sobremesa
Brownie de chocolate alentejano com ganache de chocolate e frutos vermelhos.


O valor é de 30€ por pessoa para membros da Mansão do Passeio e 35€ por pessoa para o público em geral. As vagas são limitadas para garantir um ambiente próximo e confortável.

👉 Reserva o teu lugar através do e-mail contacto@mansao.pt e junta-te a nós nesta noite especial.



No dia 24 de setembro, às 20h00, convidamos-te para um jantar de networking no Grão no Rio, em Alcácer do Sal.

Nesta noite especial, celebramos também a abertura deste novo restaurante às margens do Sado, o cenário perfeito para juntarmos boa comida, convívio e novas ligações num ambiente informal e acolhedor. É a oportunidade ideal para conheceres o espaço, encontrares outros profissionais e empresários da região, trocar ideias e criar parcerias, tudo à volta de uma mesa e de uma seleção gastronómica pensada ao pormenor.

Com sabores bem alentejanos e produtos locais, este é daqueles serões que ficam na memória e podem dar origem a novos projetos.


Menu Especial da Noite

Para Começar
Pão alentejano na mesa
Queijo fresco de Alcácer do Sal
Hummus de beterraba com dip de legumes
Bolinhas de alheira com maçã verde e compota de mirtilo

Prato Principal
Massada de garoupa e camarão

Prato Vegetariano
Gnocchi de tomatada com espinafre e picadinho de noz

Bebidas
Água sem gás, refrigerantes, café e descafeinado.
Vinho branco e tinto da seleção Grão no Rio (uma garrafa por cada três pessoas).

Sobremesa
Brownie de chocolate alentejano com ganache de chocolate e frutos vermelhos.


O valor é de 30€ por pessoa para membros da Mansão do Passeio e 35€ por pessoa para o público em geral. As vagas são limitadas para garantir um ambiente próximo e confortável.

👉 Reserva o teu lugar através do e-mail contacto@mansao.pt e junta-te a nós nesta noite especial.



Assinaturas do Tempo

Assinaturas do Tempo

Alejandro Perez

Alejandro Perez

O percurso empreendedor raramente é linear. É feito de tentativas, erros, recomeços e, sobretudo, de escolhas difíceis.

A história de Alejandro Perez ilustra bem essa realidade. Empreendedor chileno, atualmente residente em Alcácer do Sal, Alejandro acumula quase duas décadas de experiência nas áreas da logística e do comércio eletrónico. Ao longo desse percurso, desenvolveu diversos projetos empresariais, aprendendo tanto com os insucessos como com os êxitos, e consolidando uma visão de liderança prática, ética e profundamente humana.

A sua jornada empreendedora teve início em 2006, enquanto concluía a licenciatura em Chicago. Nessa fase, procurava ativamente oportunidades, conversava com profissionais de diferentes áreas e analisava vários setores de atividade. Foi esse processo exploratório que o conduziu ao setor da logística e, posteriormente, ao seu primeiro negócio.

A decisão de empreender surgiu quando encontrou os parceiros certos. Ainda assim, o início esteve longe de ser fácil. A primeira ideia falhou logo no primeiro ano, obrigando a equipa a repensar totalmente o projeto. “No começo falhámos. Tivemos de pivotar, encontrar outra ideia, e só a segunda foi realmente bem-sucedida”, admite.

Em 2018 nasce a Farmex, um dos projetos mais marcantes do seu percurso. A ideia surgiu a partir da identificação de um problema estrutural no mercado farmacêutico chileno, onde os preços dos medicamentos eram extremamente elevados.


“O Chile era o país mais caro da América Latina, e havia três grandes empresas farmacêuticas coludidas”, afirma.


Paralelamente, o comércio eletrónico era praticamente inexistente neste setor. Alejandro percebeu que a digitalização poderia ser a chave para introduzir maior transparência e concorrência no mercado. “Eu não sabia muito sobre a indústria, mas sabia que o e-commerce traz transparência de preços e competição. E eu queria estar lá desde o início”, explica. No entanto, a legislação chilena não previa, à data, a venda online de medicamentos, o que obrigou a empresa a iniciar atividade através de uma farmácia física, cumprindo rigorosamente o enquadramento legal.

A pandemia de Covid-19 acabou por acelerar esse modelo de negócio. Com um dos confinamentos mais rigorosos a nível mundial, a compra online tornou-se essencial, consolidando a proposta de valor da Farmex.

Apesar do sucesso alcançado, a empresa mantém o seu foco no mercado doméstico. A experiência com outros projetos, como a Shopex, ensinou-lhe que a internacionalização exige cautela e preparação. “Um dos maiores erros que cometi foi abrir muitos países ao mesmo tempo, sem uma estrutura sólida”, reconhece. A expansão precipitada resultou em perdas financeiras e deixou uma lição clara: “Antes de abrir num novo país, é preciso saber exatamente que recursos e estrutura se tem. Não é barato e é muito complexo”.

O crescimento dos seus negócios foi maioritariamente sustentado por capital próprio e pelo apoio de parceiros passivos. Para quem pondera levantar investimento externo, Alejandro deixa um aviso claro:


“Criar capital é uma boa forma de crescer rápido, mas a minha recomendação é esperar o máximo possível”. Segundo ele, captar investimento demasiado cedo pode ter custos elevados. “Se o fizeres no início, podes perder 50% da tua empresa. Se esperares, vais perder uma percentagem muito menor”.


No plano estratégico, considera que muitos empreendedores se deixam conduzir excessivamente pela emoção. “As emoções são boas, mas precisam de ser combinadas com números”, defende. Essa visão reflete-se também na forma como constrói e gere equipas.

Enquanto líder, valoriza ambientes de trabalho flexíveis e orientados para resultados.


“Prefiro trabalhar com pessoas felizes e flexíveis, e não tão focadas em horários. Trabalho com base em resultados, não em controlo”


Já relativamente ao trabalho remoto, a sua posição é clara: “É difícil liderar uma empresa remotamente”. Embora reconheça que algumas funções o permitam, acredita que a liderança exige proximidade. “Prefiro falar cara a cara com as pessoas”.

No centro da sua filosofia de liderança estão valores simples, mas exigentes. “É preciso ser claro, confiar na equipa e não falhar com as pessoas”, afirma. Para Alejandro, a honestidade é inegociável. “Se as pessoas não acreditam no que lhes dizes, é impossível trabalhar com elas”.

Se tivesse de deixar um conselho final a quem está a iniciar o seu percurso, resume-o de forma direta:


“Se tens vocação para o empreendedorismo, tenta. Cria a tua empresa, encontra parceiros e faz o que gostas de fazer. Na vida, é importante fazer aquilo de que realmente gostamos. Se gostas de ser empreendedor, segue esse caminho”


A trajetória de Alejandro Perez demonstra que o empreendedorismo não é apenas um exercício de ambição ou crescimento económico, mas um percurso de aprendizagem contínua, responsabilidade e coerência pessoal. Entre falhas, recomeços e decisões difíceis, construiu uma visão assente na ética, na clareza e no respeito pelas pessoas com quem trabalha.

Mais do que histórias de sucesso, o seu percurso revela a importância de saber esperar, de crescer de forma consciente e de compreender que liderar é, antes de tudo, um ato de confiança. 

Num ecossistema frequentemente marcado pela pressa e pela exaltação do crescimento a qualquer custo, Alejandro lembra-nos que a solidez constrói-se com tempo, rigor e propósito.

No fim, a sua mensagem é simples, mas poderosa: empreender faz sentido quando está alinhado com aquilo que somos e com o impacto que queremos deixar. Porque o verdadeiro sucesso não está apenas nos resultados alcançados, mas na forma como se chega até eles.

O percurso empreendedor raramente é linear. É feito de tentativas, erros, recomeços e, sobretudo, de escolhas difíceis.

A história de Alejandro Perez ilustra bem essa realidade. Empreendedor chileno, atualmente residente em Alcácer do Sal, Alejandro acumula quase duas décadas de experiência nas áreas da logística e do comércio eletrónico. Ao longo desse percurso, desenvolveu diversos projetos empresariais, aprendendo tanto com os insucessos como com os êxitos, e consolidando uma visão de liderança prática, ética e profundamente humana.

A sua jornada empreendedora teve início em 2006, enquanto concluía a licenciatura em Chicago. Nessa fase, procurava ativamente oportunidades, conversava com profissionais de diferentes áreas e analisava vários setores de atividade. Foi esse processo exploratório que o conduziu ao setor da logística e, posteriormente, ao seu primeiro negócio.

A decisão de empreender surgiu quando encontrou os parceiros certos. Ainda assim, o início esteve longe de ser fácil. A primeira ideia falhou logo no primeiro ano, obrigando a equipa a repensar totalmente o projeto. “No começo falhámos. Tivemos de pivotar, encontrar outra ideia, e só a segunda foi realmente bem-sucedida”, admite.

Em 2018 nasce a Farmex, um dos projetos mais marcantes do seu percurso. A ideia surgiu a partir da identificação de um problema estrutural no mercado farmacêutico chileno, onde os preços dos medicamentos eram extremamente elevados.


“O Chile era o país mais caro da América Latina, e havia três grandes empresas farmacêuticas coludidas”, afirma.


Paralelamente, o comércio eletrónico era praticamente inexistente neste setor. Alejandro percebeu que a digitalização poderia ser a chave para introduzir maior transparência e concorrência no mercado. “Eu não sabia muito sobre a indústria, mas sabia que o e-commerce traz transparência de preços e competição. E eu queria estar lá desde o início”, explica. No entanto, a legislação chilena não previa, à data, a venda online de medicamentos, o que obrigou a empresa a iniciar atividade através de uma farmácia física, cumprindo rigorosamente o enquadramento legal.

A pandemia de Covid-19 acabou por acelerar esse modelo de negócio. Com um dos confinamentos mais rigorosos a nível mundial, a compra online tornou-se essencial, consolidando a proposta de valor da Farmex.

Apesar do sucesso alcançado, a empresa mantém o seu foco no mercado doméstico. A experiência com outros projetos, como a Shopex, ensinou-lhe que a internacionalização exige cautela e preparação. “Um dos maiores erros que cometi foi abrir muitos países ao mesmo tempo, sem uma estrutura sólida”, reconhece. A expansão precipitada resultou em perdas financeiras e deixou uma lição clara: “Antes de abrir num novo país, é preciso saber exatamente que recursos e estrutura se tem. Não é barato e é muito complexo”.

O crescimento dos seus negócios foi maioritariamente sustentado por capital próprio e pelo apoio de parceiros passivos. Para quem pondera levantar investimento externo, Alejandro deixa um aviso claro:


“Criar capital é uma boa forma de crescer rápido, mas a minha recomendação é esperar o máximo possível”. Segundo ele, captar investimento demasiado cedo pode ter custos elevados. “Se o fizeres no início, podes perder 50% da tua empresa. Se esperares, vais perder uma percentagem muito menor”.


No plano estratégico, considera que muitos empreendedores se deixam conduzir excessivamente pela emoção. “As emoções são boas, mas precisam de ser combinadas com números”, defende. Essa visão reflete-se também na forma como constrói e gere equipas.

Enquanto líder, valoriza ambientes de trabalho flexíveis e orientados para resultados.


“Prefiro trabalhar com pessoas felizes e flexíveis, e não tão focadas em horários. Trabalho com base em resultados, não em controlo”


Já relativamente ao trabalho remoto, a sua posição é clara: “É difícil liderar uma empresa remotamente”. Embora reconheça que algumas funções o permitam, acredita que a liderança exige proximidade. “Prefiro falar cara a cara com as pessoas”.

No centro da sua filosofia de liderança estão valores simples, mas exigentes. “É preciso ser claro, confiar na equipa e não falhar com as pessoas”, afirma. Para Alejandro, a honestidade é inegociável. “Se as pessoas não acreditam no que lhes dizes, é impossível trabalhar com elas”.

Se tivesse de deixar um conselho final a quem está a iniciar o seu percurso, resume-o de forma direta:


“Se tens vocação para o empreendedorismo, tenta. Cria a tua empresa, encontra parceiros e faz o que gostas de fazer. Na vida, é importante fazer aquilo de que realmente gostamos. Se gostas de ser empreendedor, segue esse caminho”


A trajetória de Alejandro Perez demonstra que o empreendedorismo não é apenas um exercício de ambição ou crescimento económico, mas um percurso de aprendizagem contínua, responsabilidade e coerência pessoal. Entre falhas, recomeços e decisões difíceis, construiu uma visão assente na ética, na clareza e no respeito pelas pessoas com quem trabalha.

Mais do que histórias de sucesso, o seu percurso revela a importância de saber esperar, de crescer de forma consciente e de compreender que liderar é, antes de tudo, um ato de confiança. 

Num ecossistema frequentemente marcado pela pressa e pela exaltação do crescimento a qualquer custo, Alejandro lembra-nos que a solidez constrói-se com tempo, rigor e propósito.

No fim, a sua mensagem é simples, mas poderosa: empreender faz sentido quando está alinhado com aquilo que somos e com o impacto que queremos deixar. Porque o verdadeiro sucesso não está apenas nos resultados alcançados, mas na forma como se chega até eles.

Evento

Evento

2.º Aniversário da Mansão do Passeio

2.º Aniversário da Mansão do Passeio

No passado dia 26 de maio, assinalámos o 2.º aniversário da Mansão do Passeio. Parece que foi ontem que abrimos as portas deste projeto com a vontade de criar um espaço onde pessoas, empresas e ideias pudessem encontrar-se e crescer. Dois anos depois, olhamos para trás com orgulho no caminho percorrido e, sobretudo, nas relações que fomos construindo ao longo deste tempo.

Mais do que um edifício ou um local de trabalho, a Mansão do Passeio tornou-se um ponto de encontro para profissionais de diferentes áreas, projetos em desenvolvimento e pessoas que valorizam a partilha, a colaboração e a proximidade no dia a dia.

A celebração deste aniversário foi um momento especial para reunir parte da nossa comunidade, recordar conquistas, partilhar histórias e agradecer a todos os que fazem parte desta jornada. Residentes, parceiros, clientes e amigos contribuíram, cada um à sua maneira, para aquilo que a Mansão é hoje.

A todos, deixamos o nosso sincero obrigado pela confiança, pela presença e por fazerem parte desta história.

Partilhamos agora algumas fotografias deste dia tão especial.

➡️ Veja a galeria completa aqui: https://galleries.vidflow.co/r3dhh2rf/obzi5rq0

No passado dia 26 de maio, assinalámos o 2.º aniversário da Mansão do Passeio. Parece que foi ontem que abrimos as portas deste projeto com a vontade de criar um espaço onde pessoas, empresas e ideias pudessem encontrar-se e crescer. Dois anos depois, olhamos para trás com orgulho no caminho percorrido e, sobretudo, nas relações que fomos construindo ao longo deste tempo.

Mais do que um edifício ou um local de trabalho, a Mansão do Passeio tornou-se um ponto de encontro para profissionais de diferentes áreas, projetos em desenvolvimento e pessoas que valorizam a partilha, a colaboração e a proximidade no dia a dia.

A celebração deste aniversário foi um momento especial para reunir parte da nossa comunidade, recordar conquistas, partilhar histórias e agradecer a todos os que fazem parte desta jornada. Residentes, parceiros, clientes e amigos contribuíram, cada um à sua maneira, para aquilo que a Mansão é hoje.

A todos, deixamos o nosso sincero obrigado pela confiança, pela presença e por fazerem parte desta história.

Partilhamos agora algumas fotografias deste dia tão especial.

➡️ Veja a galeria completa aqui: https://galleries.vidflow.co/r3dhh2rf/obzi5rq0